terça-feira, 30 de julho de 2013

Taekwondo no MMA, Karate no MMA ou qualquer outra arte marcial no MMA. Qual a melhor?

Uma discussão que surge o tempo todo são as disputas entre as artes marciais: qual a melhor? Qual a mais indicada? Há algumas décadas, esse debate culminou no Vale Tudo, que acabou se transformando em um esporte: o MMA. E como opinião cada um tem a sua, eis a minha, construída através da experiência pessoal e da opinião de diversos atletas e praticantes de artes marciais.

Não vou me aprofundar na questão "qual a melhor arte marcial", porque tudo depende do contexto e da qualidade do praticante ou lutador. Por exemplo, técnica por técnica, na luta honrada (com regras) de duas pessoas oriundas de modalidades diferentes e igualmente competentes, o Jiu Jitsu Brasileiro já se comprovou a mais eficaz. Porém, numa briga de rua com múltiplos oponentes, tudo é diferente. Se a distância para trabalhar é curta, provavelmente golpes do Boxe e do Muay Thai darão mais vantagem. Em campo aberto, com muita gente, onde velocidade, força e esquivas são importantes, Taekwondo, Karate e assim por diante, mas sei que tudo é discutível.

Acho que todas as modalidades são úteis para as lutas, seja no MMA ou numa briga de rua, talvez umas melhores que outras conforme a situação, mas TODAS requerem adaptações em todos os casos, seja BJJ, TKD, etc. Talvez, uma das únicas "artes" desenhadas exclusivamente com fins de combate e autodefesa, que muitos preferem nem chamar de arte marcial, é o Krav Magá, que prevê fintas, desarmamentos, golpes nos genitais e também técnicas de chão (e o que mais for necessário para salvar sua pele).

Discordo que arte marcial e luta sejam sinônimos. Chama-se ARTE marcial e um dos aspectos dessa arte é a luta, seja para esporte ou para a defesa pessoal, mas os benefícios para o praticante vão muito além da briga. As artes marciais visam o aperfeiçoamento físico, emocional, mental e até mesmo a "iluminação espiritual" de seus praticantes quando consideramos sua filosofia e valores.

Os grandes mestres das artes marciais, por sinal, costumam enfatizar princípios de não-violência e que até mesmo a auto-defesa deve ser utilizada apenas no caso da vida estar ameaçada. Gostei muito de um documentário (em inglês) chamado Samurai Spirit: Karate, onde um Karateca campeão de kickboxing vai até Okinawa para conhecer as origens e técnicas dessa arte marcial e se surpreende ao constatar que apesar dos treinos rigorosos, eles não visam luta. Aliás, procuram evitá-la a todo custo. Esse documentário é essencial para o entendimento do espírito das artes marciais.

A arte marcial mais eficaz e indicada é aquela onde você se sente melhor e, como talvez diria Bruce Lee: onde você consegue expressar melhor sua personalidade. Me encontrei no Taekwondo porque as fórmulas (katas) são uma forma de meditação para mim, mas minha estrutura física mais forte e pesada dificulta um pouco a agilidade e os chutes altos. Em contrapartida, isso tem me favorecido no Jiu Jitsu.

Interessante será ver o que acontecerá com as artes marciais no futuro, sob influência do MMA. Todas as artes marciais historicamente sofreram transformações e adaptações: do Jiu Jitsu japonês ao Judô e BJJ, do Taekkyeon ao Taekwondo e assim por diante. Há quem diga que a base de todas é a mesma: o Kung Fu. Será que o MMA as reunirá de novo? Na minha academia, isso parece já estar acontecendo bem devagar, com erros e acertos, com o ATA IMAS (Integrated Martial Arts System), que é ao mesmo tempo um treinamento e uma competição com regras do MMA bem mais suavizadas, porque os praticantes não são atletas profissionais. Um dos promotores da idéia na ATA é o Chief Master M. K. Lee, que além de 8º Dan em Songahm Taekwondo, é faixa preta de Jiu Jitsu Brasileiro.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Mais uma palavra sobre Anderson Silva vs Weidman

Anderson perdeu porque exagerou na dose da brincadeira? Acho que não só por isso, mas também porque se excedeu ao tentar se valer de uma fórmula já desgastada.

Veja, Anderson é muito bom e se a luta provou algo (até onde ela durou) é sua superioridade sobre Weidman. No entanto, talvez ele tivesse perdido a luta mais para frente e de forma mais "legítima", mesmo o Spider sendo o melhor lutador.

Por melhor que ele seja, o jogo dele é o mesmo há muito tempo e já foi muito estudado. Se eu fosse o Anderson, eu sairia por aí dizendo que meu jogo funciona e que não irei mudá-lo, mas apareceria totalmente renovado na revanche em 28 de dezembro. Isso sim desestabilizará o Weidman, não as provocações para as quais o oponente estará ainda mais preparado na segunda chance.



Eu estudaria as esquivas rodadas de José Aldo contra Frankie Edgar para evitar as quedas. Aprenderia como o Demian Maia levantou facinho, facinho após ser derrubado na luta contra o próprio Weidman. E aproveitaria o contra ataque, porque o Weidman é rápido e forte, mas não dá sequência aos golpes e parece que fica um pouco assustado quando o atingem.

Aliás, é por essa mesma razão que o Belfort bateria fácil no Weidman. Vitor Belfort é melhor no chão, no boxe e muito mais explosivo. Se o Belfort achasse espaço para aquela sequência de socos caminhando para frente que ele costumava dar, o Weidman sucumbiria.

Espero que Anderson faça uso de seus talentos, mas que use esses seis meses até a revanche para adquirir novas armas e elaborar estratégias diferentes, que se reinvente como lutador e surpreenda o adversário. Os grandes campeões são aqueles que sabem aprender coisas novas, os que não ficam presos a fórmulas. Como diria nosso ídolo Bruce Lee: be water, my friend.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

1ª aula de BJJ - Jiu Jitsu Brasileiro

Conquistei em dezembro de 2012 a faixa preta no TKD e mesmo que ainda haja muita, muita coisa a aprender, sempre quis aprender uma arte marcial complementar e reconhecidamente eficaz. Se amplamente difundida no Brasil, isto é, acessível, melhor ainda, porque estar no Brasil fazendo uma arte marcial coreana cuja associação tem sede nos EUA me deixa de fora de muita coisa boa. Por exemplo: o rico conteúdo das apostilas e vídeos "The Way Of Traditional Taekwondo" da ATA - American Taekwondo Association e todo o conteúdo do site, inclusive artigos da marca. E quando são vendidos aqui, é por um preço altíssimo e demora meses para chegar.

O bjj - jiu jitsu brasileiro foi a escolha óbvia. Em primeiro lugar, porque indiscutivelmente provou-se a luta mais eficaz no combate honrado homem a homem. Cheguei a uma conclusão não definitiva: o jiu jitsu se sai melhor porque usa a gravidade (ou as leis da física de forma geral) a seu favor, enquanto as artes marciais tradicionais tem mais oponentes - essas mesmas leis -, que só são vencidas através da força física e disciplina de treino (tente dar um chute lateral acima de sua cabeça para você ver).

Não que as artes marciais tradicionais sejam ineficazes. As técnicas do TKD, por exemplo, são espetaculares e vastas, tanto é que é a primeira faixa preta de muitos lutadores do UFC: Anderson Silva, Anthony Pettis, Ben Henderson e Edson Barboza, entre outros. Contudo, demora uns 20 anos até se obter o domínio de suas técnicas, e mesmo assim grandes mestres viram sacos de pancadas quando a luta vai para o chão contra um bom grappler.

Ainda em defesa das artes marciais tradicionais: em uma briga de rua, elas provavelmente darão mais ferramentas para defesa pessoal que o bjj. Isso porque as brigas de rua de hoje são brigas de turma e tudo o que não se quer numa situação dessas é estar vulnerável no chão.

Enfim... Fiz minha primeira aula de jiu jitsu no último sábado e gostei muito, inclusive da didática: exercícios de aquecimento, aprendizado e repetição de técnicas e rounds de luta no final (na minha academia de TKD é tanto conteúdo e parte física durante a aula que nem sempre dá tempo de fazer sparring. E quando dá, meu desempenho cai muito devido ao cansaço).
Curti, bjj. Rumo à faixa preta, mas sem pressa. Quero curtir cada parte.

Ao Anderson "Spider" Silva

Está todo mundo bravo contigo (eu inclusive) porque todo mundo te ama, Spider. E ao vê-lo perder por KO de um adversário muito inferior a você de maneira tão besta, a gente se sentiu traído, porque o que há de melhor no povo brasileiro entrou contigo naquele octógono.

Você mesmo disse que aquele cinturão era patrimônio do Brasil e a gente se sentiu mais uma vez um país de 3º mundo quando o viu embalado pela bandeira americana.

O mérito do Weidman foi um só: não perder o foco. Foi visualizar o cinturão sendo colocado nele (o poder da visualização!) e ser louco o suficiente para acreditar nisso.

Já não se trata mais de recuperar o cinturão, mas sim a honra das artes marciais brasileiras e o orgulho nacional, nem que essa tarefa caiba ao Belfort.

Seus números não mentem: você é o melhor de todos os tempos e não deve nada a ninguém. Possui o direito legitimo de ir descansar com sua família. Merecia ter ganhado muito mais dinheiro. Só é uma pena que a história termine assim.